A taxa de desocupação no Brasil subiu para 6,1% no trimestre móvel encerrado em março de 2026, avanço de 1,0 ponto percentual frente ao trimestre anterior (5,1%), segundo a Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Apesar da alta na comparação trimestral, o resultado é o menor já registrado para esse período na série histórica iniciada em 2012.

O número de pessoas desocupadas chegou a 6,6 milhões, com aumento de 19,6% no trimestre — o equivalente a mais 1,1 milhão de pessoas buscando trabalho. Na comparação anual, porém, houve queda de 13%, indicando melhora estrutural do mercado de trabalho.

O total de ocupados recuou 1,0% no trimestre, para 102 milhões de trabalhadores, refletindo principalmente fatores sazonais. Setores como comércio, administração pública e serviços domésticos concentraram a perda de postos, com redução conjunta superior a 870 mil vagas.

Por outro lado, na comparação com o mesmo período de 2025, o emprego ainda apresenta crescimento de 1,5%, evidenciando resiliência do mercado de trabalho, mesmo em um cenário de desaceleração da atividade econômica.

A taxa de informalidade caiu para 37,3%, atingindo 38,1 milhões de trabalhadores informais, com recuo tanto na comparação trimestral quanto anual. O movimento foi influenciado pela redução de trabalhadores sem carteira e por conta própria sem CNPJ.

No campo da renda, os indicadores seguem em alta. O rendimento médio real atingiu R$ 3.722, com crescimento de 1,6% no trimestre e 5,5% no ano. Já a massa de rendimentos alcançou R$ 374,8 bilhões, novo recorde da série, com alta anual de 7,1%.

O conjunto dos dados indica um mercado de trabalho ainda robusto, com melhora estrutural no emprego e renda, mas sujeito a oscilações de curto prazo ligadas à sazonalidade e ao ritmo da economia.

Para o cenário macroeconômico, a combinação de renda elevada e informalidade em queda tende a sustentar o consumo das famílias, ainda que o avanço do desemprego na margem sinalize moderação no dinamismo do mercado de trabalho.