A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a possibilidade de o Congresso Nacional analisar, em regime de urgência, propostas de mudança na jornada de trabalho.

Em carta enviada a parlamentares, a entidade afirma que a eventual redução da escala pode afetar a competitividade do país, o nível de empregos formais e a produtividade das empresas.

O posicionamento está em um manifesto intitulado “Escala 6x1: o Brasil precisa de mais competitividade, não de mais custos”, elaborado em conjunto com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) e mais de 800 entidades do setor produtivo.

Segundo a CNI, a proposta não deveria avançar sem debate técnico e análise dos impactos econômicos e sociais. A entidade afirma que a redução da jornada para 40 horas semanais, com manutenção dos salários, pode elevar os custos com empregados formais entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano.

Para a indústria, o impacto estimado pode chegar a cerca de R$ 88 bilhões anuais, com reflexos sobre investimentos, emprego formal e capacidade de competir.

A entidade também aponta possível aumento de preços ao consumidor, com alta média estimada em 6,2%. No caso de itens de supermercado, a elevação projetada é de 5,7%.

De acordo com o documento, os efeitos podem ser mais intensos em setores com maior uso de mão de obra e presença de pequenas empresas, como as indústrias têxtil e de panificação.

A CNI destaca ainda impactos regionais, com estimativas de até R$ 11,5 bilhões no Norte, R$ 34,3 bilhões no Nordeste, R$ 22,7 bilhões no Centro-Oeste, R$ 142 bilhões no Sudeste e R$ 54,7 bilhões no Sul.

No documento, a entidade afirma que mudanças dessa dimensão exigem análise técnica, transição adequada e relação com ganhos de produtividade. Sem esses fatores, aponta risco de aumento de custos, pressão sobre preços, redução de investimentos e crescimento da informalidade.

A CNI também menciona que, em ano eleitoral, propostas com impacto econômico devem ser avaliadas com cautela. A entidade pede que o Congresso considere os efeitos sobre a economia antes de deliberar sobre o tema.