Neste momento em que escrevo, a espaçonave Artemis II viaja de volta à Terra, depois de excursão para um sobrevoo em torno da Lua, cumprindo missão de dez dias no espaço profundo, com quatro astronautas a bordo, incluindo uma cosmonauta.

A velocidade do veículo espacial, que recebeu o nome da deusa grega da caça, é calculada em 40 mil quilômetros por hora, e o pouso de regresso está programado para acontecer sobre as águas do Oceano Pacífico, neste dez de abril.

A aventura científica, desde o dia primeiro deste mês, tem sido a vedete de todas as mídias no mundo inteiro, mexendo com a imaginação e o ponto de vista de milhões e milhões de pessoas e gerando milhões de curtidas e comentários dos internautas.

Embora, desta vez, os homens do espaço não tenham deixado suas pegadas no solo lunar, não deixa de ser um feito extraordinário a viagem que culminou com uma volta completa em torno da irmã gêmea da Terra, tornando-se a primeira missão tripulada a realizar essa façanha, depois da histórica missão Apollo há mais de 50 anos.

Foi também a ocasião, até então inédita, em que olhos humanos enxergaram detalhes pitorescos do outro lado da Lua, eternamente oculto para nós aqui embaixo e no qual não se vê São Jorge em seu cavalo.

A face oculta da Lua, a meu ver, só deve ser de interesse meramente científico; todavia, não deixa de prender a curiosidade do mais comum dos mortais, dentre os quais me incluo. Particularmente, o que me fascina sempre é a face lunar gentilmente virada para os terráqueos, lúdica, romântica e poética.

E foi do sobrevoo em torno da Lua, que os tripulantes da Artemis II enviaram imagens nunca vistas antes, como o pôr da Terra por trás do horizonte de seu satélite natural. Uma Terra abocanhada em grande parte pela sombra da Lua, tal como vemos a Lua crescente ou minguante em nosso céu.

Outra imagem inusitada que empolgou os astronautas foi a da Lua eclipsando o Sol, em ângulo jamais visto de cá da superfície terrestre. Os tripulantes da Artemis II, a partir de uma distância de mais de 400 mil quilômetros, puderam ainda enviar fotografias em alta definição deste “pálido ponto azul” chamado Terra, revelando a esplêndida beleza dessa joia rara do Universo, tão maltratada pelos seus inquilinos Sapiens.

Conforme o noticiário, a missão Artemis II faz parte dos preparativos para, em breve, levar o homem de volta à superfície da Lua, como aconteceu naquele 20 de julho de 1969, quando, em que pesem as teorias conspiratórias, aqueles dois astronautas entraram para a história como pioneiros.

Na época, televisões em preto e branco do mundo inteiro mostraram ao vivo as imagens precárias de dois vultos humanos saltitando sobre o solo lunar como dois bonecos de mola.

Em ambos os casos, tanto a missão Apollo no século vinte, quanto a missão Artemis no século vinte e um, não parecem resultar em rendimento científico de peso para a humanidade.

Por isso, aos olhos de grande parcela da população mundial, tais missões são vistas como um tur bilionário e exibicionista, patrocinado pela nação que, cá embaixo, de forma lunática e intempestiva, provoca a guerra, a invasão de outros países, o assalto ao petróleo alheio, mortandades de pessoas civis e espalha o terror com ameaças constantes de destruição nuclear global.

Paz de verdade, só na Lua.