O Banco Central do Brasil decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 14,75% para 14,50% ao ano, dando continuidade ao ciclo de flexibilização monetária iniciado em 2026. A decisão foi unânime entre os membros do Comitê de Política Monetária (Copom).
O movimento ocorre em um ambiente de elevada incerteza externa, especialmente em função dos conflitos no Oriente Médio, que têm pressionado preços de commodities, como petróleo, e impactado as condições financeiras globais.
Apesar do corte, o Banco Central destacou que a inflação segue acima da meta e com sinais de aceleração. As expectativas para 2026 e 2027 permanecem desancoradas, em 4,9% e 4,0%, respectivamente — acima do centro da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional.
No cenário doméstico, a atividade econômica apresenta sinais de moderação, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência. Ao mesmo tempo, a inflação de serviços e os núcleos inflacionários seguem pressionados, indicando persistência das pressões de preços.
O Copom avaliou que o longo período de juros elevados já produz efeitos sobre a desaceleração da economia, abrindo espaço para ajustes graduais na política monetária. No entanto, reforçou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário, especialmente da trajetória da inflação e das expectativas.
Entre os principais riscos de alta estão a possível desancoragem prolongada das expectativas, pressões adicionais vindas do petróleo e câmbio depreciado. Já entre os riscos de baixa, destacam-se uma desaceleração econômica mais intensa e queda nos preços das commodities.
A autoridade monetária enfatizou que seguirá com postura de cautela, indicando que o ritmo de cortes pode ser ajustado conforme novas informações. O objetivo permanece a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, ao mesmo tempo em que busca suavizar os efeitos sobre a atividade econômica.
Para o mercado, a decisão confirma um ciclo de cortes mais gradual e condicionado, em um cenário de maior volatilidade e incerteza, com impacto direto sobre expectativas de juros, câmbio e ativos de risco.
Carlos Augusto
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