A Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) aponta que 56,5% dos trabalhadores brasileiros consideram improvável ou muito improvável perder o emprego ou a principal fonte de renda nos próximos seis meses. Por outro lado, 17,2% avaliam que há risco de perda, o maior percentual desde o início da série, em 2025 .
Os dados fazem parte da Sondagem do Mercado de Trabalho referente ao trimestre encerrado em março de 2026 e indicam um cenário de relativa estabilidade, mas com sinais de aumento da incerteza. Outros 26,3% dos entrevistados afirmaram não saber avaliar o risco de perda de renda .
A percepção de segurança ainda predominante reflete um mercado de trabalho aquecido, mas com desaceleração no ritmo de melhora. Segundo a FGV, o aumento gradual da parcela de trabalhadores que veem maior risco de desemprego sugere mudança de tendência, ainda que em estágio inicial .
Indicadores complementares reforçam esse diagnóstico. A satisfação com o trabalho segue elevada, com cerca de 77,7% dos trabalhadores se declarando satisfeitos ou muito satisfeitos. Ao mesmo tempo, fatores como baixa remuneração continuam sendo o principal vetor de insatisfação .
Outro ponto de atenção está na percepção de proteção social. Apenas 29,1% dos trabalhadores afirmam se sentir protegidos em caso de perda de renda, enquanto a maioria relata algum grau de vulnerabilidade, o que amplia a sensibilidade do consumo a choques no mercado de trabalho .
No conjunto, os dados indicam um mercado ainda resiliente, mas com aumento gradual da percepção de risco. Para a economia, o movimento sugere possível moderação no consumo das famílias nos próximos meses, caso a insegurança avance, especialmente em um ambiente de juros elevados e crescimento moderado.
Carlos Augusto
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