As exportações brasileiras foram lideradas pelo petróleo em março de 2026, com forte crescimento nas vendas externas do setor extrativo, segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da FGV IBRE. O avanço ocorre em um cenário de maior volatilidade internacional, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, com impacto direto sobre o mercado global de energia .
O destaque do mês foi o aumento de 70,4% no valor das exportações de petróleo na comparação anual, refletindo tanto a expansão do volume exportado quanto a dinâmica de preços no mercado internacional. No mesmo período, o volume das exportações da indústria extrativa cresceu 36,5%, consolidando o segmento como principal motor das vendas externas .
O desempenho contrasta com outros setores da economia. A agropecuária registrou queda no volume exportado, enquanto a indústria de transformação apresentou crescimento mais moderado. Esse desequilíbrio reforça a maior dependência das commodities na pauta exportadora brasileira no curto prazo .
No agregado, o superávit comercial do setor de petróleo bruto avançou de US$ 7,9 bilhões para US$ 11,0 bilhões no primeiro trimestre, contribuindo de forma relevante para o saldo positivo da balança comercial brasileira . No entanto, os derivados de petróleo ainda representam um ponto de atenção, especialmente diante do aumento das importações e da pressão sobre preços de combustíveis.
O cenário internacional tende a manter o petróleo como variável-chave para o comércio exterior brasileiro. A instabilidade geopolítica eleva a volatilidade dos preços e pode ampliar ganhos no curto prazo, mas também aumenta os riscos para a balança de derivados e para os custos internos de energia.
Para investidores e empresas, o movimento reforça o papel estratégico do setor de óleo e gás na geração de divisas, ao mesmo tempo em que evidencia a necessidade de diversificação da pauta exportadora para reduzir a exposição a choques externos.
Carlos Augusto
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