O volume de vendas do comércio varejista brasileiro avançou 0,6% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Com o resultado, o setor atingiu novo recorde da série histórica iniciada em 2000.

O desempenho reforça a trajetória positiva recente do varejo, que vem sustentando crescimento mesmo em ambiente de juros elevados. A média móvel trimestral registrou alta de 0,2% no período encerrado em fevereiro, indicando continuidade da expansão, ainda que em ritmo moderado.

O crescimento mensal foi impulsionado principalmente por segmentos ligados ao consumo essencial. Entre as oito atividades pesquisadas, quatro apresentaram alta, com destaque para livros e papelaria (2,4%), combustíveis (1,7%) e hiper e supermercados (1,1%), este último com peso relevante na composição do índice.

Por outro lado, setores mais dependentes de crédito e renda disponível apresentaram retração, como informática (-2,7%), vestuário (-0,3%) e móveis e eletrodomésticos (-0,1%). O movimento sugere um padrão de consumo mais concentrado em itens básicos, refletindo restrições orçamentárias das famílias.

No conceito ampliado, que inclui veículos e material de construção, o varejo cresceu 1,0% na margem, também alcançando o maior nível da série. No entanto, na comparação interanual, o varejo ampliado recuou 2,2%, pressionado pela queda nas vendas de veículos (-7,8%) e materiais de construção (-8,5%).

Em relação a fevereiro de 2025, o varejo restrito apresentou leve alta de 0,2%, com desempenho positivo concentrado em três segmentos: farmacêuticos (2,1%), supermercados (1,5%) e informática (0,2%). Cinco atividades registraram queda, evidenciando uma recuperação heterogênea.

No acumulado do primeiro bimestre de 2026, o varejo cresceu 1,5% frente ao mesmo período do ano anterior, marcando o 21º bimestre consecutivo de expansão. O resultado reforça a resiliência do consumo, embora com sinais de desaceleração em segmentos mais sensíveis ao crédito.

Para o cenário econômico, o avanço sustentado do varejo indica suporte ao crescimento do PIB pelo lado da demanda. No entanto, a concentração em itens essenciais e a fraqueza de bens duráveis apontam limites para uma expansão mais robusta do consumo no curto prazo.