O Grupo Mateus iniciou um processo de redução de custos e reestruturação operacional após registrar pressão nas margens e queda no lucro no primeiro trimestre de 2026. A companhia informou que reduziu em 8,8% o quadro de colaboradores nas operações do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia desde setembro de 2025.
Segundo a varejista, os cortes fazem parte de projetos de produtividade e racionalização operacional implementados após a desaceleração das vendas e o aumento das despesas no período. A companhia afirmou que as iniciativas envolvem revisão de contratos, processos internos e análise de desempenho entre lojas e formatos operacionais.
O movimento ocorre em um trimestre marcado por queda de 21,8% no lucro líquido atribuído ao Grupo Mateus, que somou R$ 212,9 milhões, enquanto o EBITDA pós-IFRS 16 caiu 7,3%, para R$ 543 milhões.
As despesas operacionais cresceram 29,3% no período, totalizando R$ 1,6 bilhão, pressionadas pela consolidação do Novo Atacarejo e pela expansão orgânica da companhia.
O Grupo Mateus informou ainda que registrou despesas não recorrentes de R$ 26 milhões relacionadas a rescisões trabalhistas vinculadas ao processo de reestruturação.
Apesar da pressão operacional, a companhia afirmou que as medidas começaram a produzir efeitos ao longo de março. Desconsiderando os gastos extraordinários com desligamentos, as despesas operacionais representaram 16,5% da receita líquida no último mês do trimestre, redução de 0,9 ponto percentual frente à média do período.
A companhia também atribuiu a deterioração operacional à desaceleração do consumo, ao maior endividamento das famílias e à deflação de alimentos, que afetou o desempenho das vendas nas mesmas lojas (SSS), indicador que ficou negativo em 7,3% no trimestre.
Mesmo diante da pressão sobre resultados, o Grupo Mateus encerrou março com geração de caixa de R$ 323,5 milhões e redução da alavancagem financeira para 0,33 vez dívida líquida sobre EBITDA ajustado.
Carlos Augusto
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