O mercado de capitais brasileiro registrou emissões de R$ 207,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 19,8% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários.

O principal destaque foi a retomada das ofertas de ações, que movimentaram R$ 13,6 bilhões entre janeiro e março — valor próximo ao total emitido em todo o ano de 2025 (R$ 15,5 bilhões). O movimento sinaliza reabertura gradual do mercado acionário, após período de menor atividade.

Outro vetor relevante foi o avanço das ofertas via crowdfunding, que atingiram R$ 1,1 bilhão no trimestre, alta de 83,3% na comparação anual. O número de emissões também cresceu significativamente, passando de 147 para 245 operações, consolidando o instrumento como alternativa de financiamento para empresas de menor porte.

O conjunto de participantes regulados pela CVM chegou a 92.929, com crescimento marginal de 0,12% em relação ao fim de 2025. Segmentos como consultores de valores mobiliários (+6,4%) e fundos de investimento (+1,5%) continuam em expansão.

O valor total estimado do mercado regulado alcançou R$ 52,91 trilhões, enquanto a capitalização do mercado de ações subiu para R$ 5,37 trilhões, avanço de 12,6% no trimestre. A indústria de fundos de investimento somou R$ 11,66 trilhões, com crescimento de 4,8%.

O ambiente de risco, no entanto, se deteriorou. Indicadores de mercado e liquidez apresentaram alta, refletindo maior volatilidade global associada a tensões geopolíticas. O risco de mercado atingiu 2,7 pontos em escala de 1 a 5, indicando aumento relevante da instabilidade nos preços de ativos.

Por outro lado, houve redução nos indicadores de risco de crédito e no apetite ao risco, sugerindo maior seletividade por parte dos investidores em um cenário externo mais adverso.

O desempenho do trimestre reforça a trajetória de expansão do mercado de capitais, sustentada pela diversificação de instrumentos e pelo aumento da base de participantes. Ao mesmo tempo, a elevação dos riscos indica um ambiente mais desafiador para emissões ao longo de 2026.

Para empresas, o cenário combina maior acesso a capital com custos potencialmente mais voláteis. Para investidores, o momento exige maior atenção à precificação de risco e à qualidade dos ativos.