O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a economia brasileira continua demonstrando resiliência diante de múltiplos choques e projetou um fortalecimento gradual do crescimento para cerca de 2,5% no médio prazo. A análise foi divulgada após missão realizada no Brasil entre 18 e 29 de maio de 2026 para a Consulta do Artigo IV.

Segundo o FMI, a desaceleração observada em 2025 refletiu os efeitos da política monetária restritiva e da redução do apoio fiscal, fatores que contribuíram para a queda da inflação. A instituição destacou que indicadores de alta frequência apontam para uma recuperação econômica no início de 2026.

A missão foi liderada por Daniel Leigh, que afirmou que o Brasil está relativamente protegido dos aumentos globais do preço do petróleo decorrentes da guerra no Oriente Médio. Entre os fatores citados estão a condição do país como exportador líquido de petróleo e a elevada participação de fontes renováveis na geração de eletricidade.

O FMI observou que a inflação recuou até o início de 2026, mas voltou a apresentar alta recentemente em razão dos preços globais da energia. A expectativa da instituição é de que a inflação aumente no curto prazo antes de convergir para a meta de 3% em meados de 2028.

Em relação à política monetária, o organismo avaliou como adequado o recente afrouxamento promovido pelo Banco Central do Brasil. O FMI defendeu a manutenção da flexibilidade nas futuras decisões sobre juros, diante das incertezas relacionadas ao cenário internacional e às novas pressões inflacionárias.

A instituição também ressaltou a importância de manter o compromisso com a meta de inflação de 3% para reduzir a inflação e ancorar as expectativas do mercado.

No campo fiscal, o FMI reconheceu medidas adotadas pelas autoridades para melhorar a situação das contas públicas, mas afirmou que reformas adicionais serão necessárias para colocar a dívida pública em trajetória de queda. Entre as recomendações estão a preservação das receitas extraordinárias ligadas ao petróleo, a oferta de apoio temporário e direcionado e a adoção de medidas para enfrentar a rigidez dos gastos e reduzir despesas tributárias.

O relatório também destacou a resiliência do sistema financeiro brasileiro. Segundo o FMI, os bancos permanecem bem capitalizados e com boa liquidez. A entidade apontou, contudo, a necessidade de monitoramento contínuo dos riscos de crédito às famílias e do fortalecimento da supervisão dos mercados bancário e de valores mobiliários.

Por fim, o organismo avaliou que as reformas estruturais e a agenda de transformação ecológica contribuem para fortalecer as perspectivas de crescimento no médio prazo. O FMI também destacou a criação de novas parcerias comerciais e os esforços voltados à melhoria do ambiente de negócios, ao aumento da participação da força de trabalho e à promoção de políticas de descarbonização.