O Exército Brasileiro apresentou, no dia 5 de março, um projeto tecnológico voltado ao uso coordenado de múltiplos drones e robôs autônomos em operações militares. A iniciativa foi conduzida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, por meio do Instituto Militar de Engenharia, e busca ampliar a capacidade da força em áreas estratégicas como robótica, inteligência artificial e sistemas autônomos.

O projeto, chamado “Enxame de Veículos Autônomos Aéreos e Terrestres: Guiamento, Controle e Navegação (EVAAT-GCN)”, conhecido como “Enxame de Drones”, prevê o desenvolvimento de um demonstrador tecnológico capaz de coordenar diversos robôs autônomos — tanto aéreos quanto terrestres — atuando de forma integrada em missões militares.

A proposta é que o sistema funcione de maneira colaborativa, com compartilhamento de informações em tempo real e tomada de decisões distribuída entre os equipamentos. Essa arquitetura permitiria executar tarefas como reconhecimento, vigilância e potencial apoio de fogo com maior precisão, além de reduzir a exposição de militares a ambientes de risco.

Segundo o chefe do DCT, general de Exército Hertz Pires do Nascimento, o projeto faz parte de um conjunto de iniciativas financiadas pela Financiadora de Estudos e Projetos. De acordo com ele, o sistema deverá reunir drones de reconhecimento e drones armados, equipados com diferentes sensores e capacidades operacionais, com previsão de evolução até o final deste ano.

Além de demonstrar a viabilidade tecnológica do conceito, o projeto também busca estabelecer bases para que a tecnologia evolua futuramente para um sistema padronizado de uso militar pelo Exército. A expectativa é que a produção seja realizada por empresas da Base Industrial de Defesa nacional.

O desenvolvimento conta com a participação de instituições acadêmicas e científicas brasileiras, incluindo a Universidade Federal de Pernambuco, o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada e o Laboratório Nacional de Computação Científica.

Entre os próximos marcos previstos estão a ampliação do número de drones operando simultaneamente, a incorporação de novos tipos de robôs — como aeronaves de asa fixa e veículos terrestres autônomos — e a integração de tecnologias de realidade virtual e aumentada para interação com o sistema.

O projeto integra um conjunto mais amplo de iniciativas de inovação conduzidas pelo Exército em parceria com a FINEP. Atualmente, a instituição mantém 48 projetos de pesquisa em desenvolvimento em áreas como defesa cibernética, tecnologias quânticas, inteligência artificial, radares e sensores, proteção balística e defesa química, biológica, radiológica e nuclear.

Segundo o Exército, a cooperação com centros de pesquisa e universidades busca fortalecer a Base Industrial de Defesa e ampliar a capacidade tecnológica nacional em áreas consideradas estratégicas para a segurança e soberania do país.

A apresentação do projeto também teve como objetivo demonstrar a aplicação dos recursos públicos investidos em pesquisa e desenvolvimento e os resultados obtidos a partir da parceria entre o Exército e a FINEP.