A desigualdade de renda no Brasil apresentou melhora em relação ao período anterior à pandemia, mas permanece em patamar elevado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE.

Em 2025, os 10% da população com maiores rendimentos receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% com menores rendimentos, considerando o rendimento domiciliar per capita.

O levantamento mostra ainda que os 10% mais ricos concentravam 40,3% de toda a massa de rendimentos domiciliares do país em 2025 — participação superior à soma dos 70% da população com menores rendimentos.

O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita ficou em 0,511 em 2025, levemente acima do registrado em 2024 (0,504), mas ainda abaixo do nível observado em 2019, antes da pandemia, quando atingia 0,543.

No caso do rendimento do trabalho, o índice de Gini foi estimado em 0,491, praticamente estável frente a 2024 (0,487) e inferior aos níveis registrados antes da crise sanitária.

Os dados indicam que o crescimento da renda e do emprego nos últimos anos contribuiu para reduzir parte das distorções ampliadas durante a pandemia, especialmente com a recuperação do mercado de trabalho e o aumento dos programas de transferência de renda.

Ainda assim, o IBGE aponta que a concentração de renda continua elevada e estruturalmente desigual entre regiões e grupos sociais.

As diferenças aparecem também entre os domicílios beneficiados por programas sociais e aqueles sem assistência governamental. Em 2025, o rendimento médio domiciliar per capita das famílias que recebiam Bolsa Família foi de R$ 774, menos de 30% do valor registrado entre domicílios sem o benefício, cuja renda média atingiu R$ 2.682.

O cenário reforça que, apesar da melhora recente nos indicadores, o avanço da renda ainda não foi suficiente para alterar de forma significativa a estrutura de desigualdade do país.