A Marcopolo S.A. registrou lucro líquido de R$ 264,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 8,8% em relação ao mesmo período de 2025, mesmo com queda de 1,3% na receita líquida, que somou R$ 1,65 bilhão. A produção total caiu 9,0% na mesma base de comparação, para 2.997 unidades.
O EBITDA alcançou R$ 304,8 milhões, avanço de 16,3%, com expansão de margem para 18,4%, refletindo ganhos operacionais e efeitos não recorrentes positivos, como a reversão de provisões na operação canadense.
A melhora de rentabilidade, mesmo com menor volume, sugere estratégia focada em mix de produtos de maior valor agregado e eficiência operacional. A margem líquida subiu para 16,0%, enquanto o retorno sobre patrimônio (ROE) avançou para 32,8%.
Por outro lado, o recuo de 26,7% nas operações internacionais e a forte queda no mercado mexicano (-80,7%) indicam riscos relevantes na diversificação geográfica.
A geração de caixa foi negativa no período, com consumo de R$ 47,1 milhões nas operações, refletindo aumento de estoques e dinâmica operacional mais pressionada.
Para os próximos trimestres, a companhia projeta recuperação gradual de volumes a partir do segundo trimestre, apoiada por sazonalidade e entregas ligadas a licitações públicas, como o programa Caminho da Escola.
No ambiente de negócios, o desempenho da Marcopolo sinaliza um setor ainda sensível a condições macroeconômicas — especialmente juros, crédito e custos de combustíveis —, mas com espaço para recuperação ao longo de 2026 caso haja melhora no financiamento e na demanda por transporte.