O Índice de Confiança da Indústria (ICI), apurado pelo FGV IBRE, subiu 0,6 ponto em fevereiro, alcançando 96,7 pontos. Na média móvel trimestral, o avanço foi mais expressivo, de 2,4 pontos, para 96,4 pontos, sinalizando recuperação gradual do setor.
A alta foi disseminada: 12 dos 19 segmentos industriais pesquisados registraram melhora na confiança. O resultado reflete avaliações mais favoráveis tanto sobre a situação atual quanto sobre as expectativas para os próximos meses. O Índice de Situação Atual (ISA) avançou 1 ponto, para 97,4 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) subiu 0,3 ponto, para 96 pontos.
Segundo o economista Stéfano Pacini, do FGV IBRE, a indústria segue dando sinais de recuperação, com estoques em níveis considerados normais e ambiente de negócios mais favorável. Ele pondera, no entanto, que ainda é cedo para afirmar que o movimento positivo será duradouro, diante da política monetária contracionista e do cenário macroeconômico desafiador. Por outro lado, a possibilidade de início de um ciclo de queda de juros, além do mercado de trabalho aquecido, do câmbio apreciado e da inflação mais próxima da meta, podem favorecer o setor nos próximos meses.
Entre os componentes do ISA, o indicador que mede a situação atual dos negócios foi o principal responsável pela alta, ao subir 3,9 pontos, para 95,6 pontos. O indicador de estoques recuou 0,6 ponto, para 101 pontos, mantendo-se próximo ao nível considerado normal — valores acima de 100 indicam estoques acima do desejado. Já o indicador de demanda atual caiu 1,5 ponto, para 97,9 pontos.
No campo das expectativas, o otimismo com a evolução dos negócios nos próximos seis meses subiu 2,4 pontos, para 94 pontos, o maior nível desde maio de 2025. A produção prevista também avançou, com alta de 2,3 pontos, atingindo 102,5 pontos — melhor resultado desde dezembro de 2020. Em sentido contrário, as expectativas de emprego recuaram 4 pontos, para 91,7 pontos, após três meses consecutivos de alta.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) aumentou 0,3 ponto percentual em fevereiro, alcançando 81,6%, reforçando o sinal de leve recuperação da atividade industrial.
Carlos Augusto
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