O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a Butantan-DV, vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a identificação de eventos adversos raros e inesperados que estão sendo investigados pelas autoridades sanitárias.

Até 30 de maio, cerca de 500 mil doses haviam sido aplicadas em profissionais da Atenção Primária à Saúde e em pessoas de 15 a 59 anos de municípios selecionados nos estados de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Tocantins. Nesse universo, foram registrados 42 casos com sinais de alerta, incluindo dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três desses casos foram classificados como graves, com dois óbitos sob investigação.

Segundo o Ministério da Saúde, os eventos representam aproximadamente 0,008% das doses aplicadas e, até o momento, não há comprovação de relação causal entre os casos e a vacina. A interrupção foi definida como medida preventiva para permitir análises mais aprofundadas por especialistas da Anvisa, do Ministério da Saúde e do Instituto Butantan.

A pasta ressaltou que a suspensão não invalida os resultados dos estudos clínicos que embasaram a aprovação do imunizante. Antes da autorização para uso, a vacina passou por testes com mais de 11 mil voluntários acompanhados por até cinco anos, demonstrando eficácia geral de 65% contra a doença e de 80,5% contra casos graves.

Para quem já recebeu a vacina, a orientação é observar possíveis sintomas nos 21 dias seguintes à aplicação e procurar atendimento médico em caso de sinais de agravamento. O Ministério reforça que os vacinados continuam protegidos contra os quatro sorotipos da dengue e que a vigilância epidemiológica seguirá acompanhando os casos.

Apesar da suspensão temporária da Butantan-DV, o Sistema Único de Saúde (SUS) mantém a vacinação de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com a vacina Qdenga. O governo também informou que todas as demais estratégias de combate à dengue permanecem em vigor. Até maio de 2026, o país registrou redução de 94% nos casos prováveis e de 97% nos óbitos em comparação ao mesmo período de 2024.