O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2) que o Brasil não integra atualmente o grupo de países considerados aliados estratégicos de Washington na América Latina. A declaração foi feita durante audiência no Congresso americano, quando o chefe da diplomacia dos EUA avaliava o cenário político do Hemisfério Ocidental.
Ao destacar que a região está “cheia de aliados” e governos favoráveis aos interesses americanos, Rubio abriu exceções para Nicarágua, Cuba, Venezuela e também para o Brasil. Segundo ele, apesar de o país estar em um ciclo eleitoral, não faz parte do atual bloco de governos alinhados aos Estados Unidos.
A fala ocorre em um momento de deterioração das relações entre Brasília e Washington. Nos últimos dias, o governo americano propôs tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras, alegando práticas comerciais consideradas desleais em áreas como serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual e acesso a mercados.
O posicionamento também se soma a outras divergências recentes entre os dois países. Na semana passada, Rubio anunciou a classificação das facções criminosas brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, medida criticada pelo governo brasileiro sob o argumento de interferência em assuntos internos e risco à soberania nacional.
A inclusão do Brasil entre as exceções citadas por Rubio tem peso diplomático porque sinaliza que a atual administração americana não vê o governo brasileiro como um parceiro prioritário na agenda geopolítica regional. Embora não represente uma ruptura formal das relações bilaterais, a declaração reforça o ambiente de distanciamento político observado desde o início da gestão Trump.
Carlos Augusto
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