O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) que retomará o programa de apoio aos setores empresariais afetados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, sob a alegação de práticas comerciais consideradas "desleais". As novas tarifas entram em vigor em 22 de julho.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que a prioridade do governo será apoiar os setores mais impactados pela medida, classificada como "injusta, indevida e ilegal".
Segundo o ministro, os segmentos de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar terão acesso a linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de apoio para direcionar produtos a novos clientes e mercados.
Estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que cerca de 2,4 mil empresas brasileiras serão diretamente afetadas. Juntas, elas representam aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, com base nos dados de 2024.
De acordo com o governo, mais da metade das exportações brasileiras aos EUA, incluindo carnes, café, óleos e produtos da aviação, ficou de fora da nova tarifa. Márcio Elias Rosa afirmou ainda que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% em 2026 e que o governo continuará incentivando a diversificação de mercados.
O vice-presidente Geraldo Alckmin informou que o governo também estuda formas de aplicar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado. A norma prevê a suspensão de concessões comerciais em resposta a ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade econômica do Brasil.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, classificou a decisão norte-americana como uma interferência externa indevida e afirmou que as alegações dos EUA são falsas e não se sustentam em dados concretos. Segundo ele, o tarifaço não deve comprometer a estabilidade macroeconômica do país e o pacote de apoio deverá ser menor do que o adotado no ano passado, devido ao maior número de produtos isentos da nova tarifa.
Entre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos está o Pix, sistema de pagamentos do Banco Central. Durante a coletiva, o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, afirmou que o sistema não prejudicou empresas norte-americanas de cartões e destacou que, desde sua implementação, o mercado de cartões de crédito cresceu 150%, enquanto a perda de espaço ocorreu principalmente entre cheques e dinheiro em espécie.
O USTR também citou práticas relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, rejeitou as alegações sobre o aumento do desmatamento e do comércio ilegal de madeira, afirmando que a redução do desmatamento na Amazônia chegou a 50% nos últimos três anos.
Carlos Augusto
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