As projeções do mercado financeiro para a inflação voltaram a subir, segundo o boletim Focus do Banco Central do Brasil divulgado nesta segunda-feira (30).

A estimativa para o IPCA em 2026 avançou para 4,31%, mantendo a inflação acima do centro da meta e reforçando a pressão sobre a política monetária. Para 2027, a projeção também subiu, para 3,84%.

No cenário de atividade, houve leve revisão para cima do PIB de 2026, que passou para 1,85%, indicando crescimento ainda moderado da economia.

O câmbio permaneceu estável, com previsão de dólar a R$ 5,40 em 2026 e R$ 5,45 em 2027, refletindo relativa estabilidade nas expectativas, apesar do ambiente externo volátil.

Já a taxa básica de juros foi mantida em 12,50% ao ano em 2026, sinalizando expectativa de juros elevados por mais tempo. Para 2027, a projeção segue em 10,50%.

O conjunto dos dados indica um cenário de inflação persistente, crescimento limitado e condições financeiras restritivas, o que tende a prolongar o ciclo de juros elevados e limitar a recuperação mais forte da economia no curto prazo.

Para o mercado, a leitura reforça cautela: a inflação acima da meta reduz o espaço para cortes rápidos da Selic, enquanto o crescimento ainda fraco mantém a demanda doméstica pressionada.