O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), da FGV IBRE, recuou 2,7 pontos em março, para 84,6 pontos, registrando a segunda queda consecutiva e reforçando o ambiente desafiador para o varejo .

Na média móvel trimestral, o índice também caiu, com recuo de 1,3 ponto, indicando perda de fôlego mais persistente no início de 2026.

A queda foi puxada principalmente pela deterioração das expectativas. O Índice de Expectativas (IE-COM) recuou 4,4 pontos, para 85,1 pontos, atingindo o menor nível desde setembro de 2025. O indicador de tendência dos negócios caiu ao menor patamar desde 2021, sinalizando aumento do pessimismo entre empresários.

A avaliação da situação atual também apresentou piora. O Índice de Situação Atual (ISA-COM) recuou 0,8 ponto, para 84,8 pontos, com destaque para a queda no indicador de demanda, que atingiu o nível mais baixo desde 2020.

Segundo a sondagem, a retração foi disseminada em cinco dos seis segmentos pesquisados, refletindo um enfraquecimento generalizado da confiança no setor.

O resultado ocorre em um contexto de juros elevados e alto endividamento das famílias, fatores que limitam o consumo, apesar da resiliência do mercado de trabalho. A renda disponível, segundo a pesquisa, não tem sido suficiente para impulsionar a demanda no comércio.

Para o setor, o dado sinaliza um primeiro trimestre marcado por cautela e baixa tração nas vendas, com impacto direto sobre investimento, estoques e planejamento das empresas.