Gerado por I.A

Gerado por I.A

Por mensagem eletrônica recente, de São Paulo, minha irmã, cheia de júbilo, comunica-me a chegada de sua netinha, ansiosamente esperada. Desembarcou neste mundo em 27 de abril. Vem somar os cerca de 400 mil nascimentos de humanos a cada dia, segundo estatísticas. Quase sete mil só no Brasil.

Gabriela chega também inserida na chamada “geração alfa”, a moderna safra de gente que nasce já mergulhada no universo ultramoderno da tecnologia digital e da inteligência artificial.
Nesse universo, ainda dentro da barriga da mãe, já é possível os pais acompanharem o desenvolvimento do novo ser e conhecer-lhe inclusive o sexo e até agendar o dia e a hora do nascimento. E alardear antecipadamente na internet, com imagens, a vinda de mais um ente querido.

Falavam-se, antes da virada do milênio, em profecias que anunciavam o fim do mundo para o ano 2000. O século vinte acabou às 24 horas do ano 2000, imediatamente ingressamos no século vinte e um e o mundo continuou a girar, por mais séculos, quem sabe, sem fim.

Porém, particularmente, está na vista que algum mundo se acabou na passagem do milênio. O mundo antigo e analógico, esse, sim, praticamente acabou. De alguma forma, as profecias não mentiram; apenas esconderam de todos nós que mundo iria chegar ao seu termo.

Nós, os egressos do século e milênio passados, testemunhamos, verdadeiramente, o fim de um mundo e o nascimento de outro. Somos remanescentes de uma geração inteiramente diversa da geração que despontou neste primeiro quartel do século atual. Pois, de uma hora para outra, já se passou o primeiro quarto de século do novo milênio, que até pouco tempo soava como algo remotamente distante.

Vivemos uma transição ainda de costumes, de relações pessoais, de falas antigas mescladas com os neologismos do mundo digital. Só para citar poucos exemplos, dentre tantos que envolvem um amplo espectro do comportamento humano. Tal transição segue, em ritmo acelerado, deixando em seu caminho apenas a lembrança de uma época bastante diferente, trocada por uma época incrivelmente moderna.

E quero acreditar que, nós, os remanescentes do século e milênio passados, somos intrusos numa era jamais antes avançada, que os historiadores, por sua vez, já podem taxá-la como a quarta revolução da história humana na face da terra, qual seja, a revolução digital.

Os que agora estão chegando, dentro em pouco talvez nos enxerguem como dinossauros, e a eles como seres extraterrestres, dominados pela alta tecnologia que já está fazendo o entrosamento da inteligência eletrônica com os neurônios biológicos, dentro de uma unificação de humanos e robôs perfeitamente sincronizados.

Os que agora estão chegando deverão voltar os olhos para o passado dos que já estão saindo de cena, e sentir, quem sabe, piedade ou mesmo rir, sem muito entendimento, do mundo nosso que se acabou na passagem do milênio.

Ou, quem sabe, ainda temos tempo, os filhos da era analógica, de sentir piedade ou mesmo rir dessa gigantesca leva de seres humanos que agora estão desembarcando no mundo cibernético, quiçá frívolo e sem graça, em que as máquinas, em alta velocidade, estão ocupando a vez dos humanos, enquanto aquela conversa amena de um fim de tarde fagueiro, sem olhos pedrados numa tela eletrônica, envolviam-nos o espírito e o coração. Ou lendo um bom livro. Ou as páginas de um jornal impresso, com seus suplementos dominicais. Coisas que o tempo, com sua vassoura espessa, continua, implacável, atirando na poeira, para sempre.

Num caso e noutro, bem-vindos, irmãos da geração alfa! Bem-vinda, Gabriela!