As negociações entre Brasil e Paraguai para a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu avançam com perspectiva de redução da tarifa de energia da usina binacional a partir de 2027. Segundo a Itaipu Binacional, a nova modelagem deve refletir principalmente os custos operacionais, após a quitação de dívidas históricas do empreendimento.

A atual estrutura tarifária é considerada transitória e válida até dezembro de 2026. Hoje, o custo unitário dos serviços de eletricidade (Cuse) está fixado em US$ 19,28 por kW/mês, enquanto a tarifa efetivamente praticada no Brasil é de US$ 17,66 por kW/mês, viabilizada por aportes adicionais da usina para garantir modicidade tarifária.

A proposta em discussão prevê uma tarifa entre US$ 10 e US$ 12 por kW/mês, patamar significativamente inferior ao atual. A mudança decorre da transição do modelo financeiro da usina, que deixa de incorporar custos de amortização da dívida e passa a refletir essencialmente despesas operacionais.

No Brasil, a energia de Itaipu é comercializada pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), sendo adquirida por distribuidoras cotistas. A redução tarifária tende a impactar diretamente o custo de energia para essas empresas e, potencialmente, para os consumidores finais.

A revisão do Anexo C é um dos principais pontos da agenda bilateral entre os dois países no setor elétrico e definirá as bases econômicas da usina para as próximas décadas. Para o mercado, a possível queda na tarifa reforça a perspectiva de alívio nos custos de energia no médio prazo, com efeitos sobre inflação, competitividade industrial e equilíbrio do setor elétrico.