Saques superam depósitos pelo terceiro ano consecutivo; Selic em 15% mantém pressão sobre a caderneta
O saldo da caderneta de poupança voltou a registrar retirada líquida em janeiro, com os saques superando os depósitos em R$ 23,5 bilhões. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Banco Central do Brasil, foram aplicados R$ 331,2 bilhões no mês, enquanto os resgates somaram R$ 354,7 bilhões.
Apesar da captação negativa, os rendimentos creditados nas contas de poupança totalizaram R$ 6,4 bilhões no período. Com isso, o saldo total da aplicação permanece pouco acima de R$ 1 trilhão, mas segue pressionado pela migração de recursos para alternativas mais rentáveis.
O resultado de janeiro confirma uma tendência observada nos últimos anos. Em 2023, a poupança registrou retirada líquida de R$ 87,8 bilhões, enquanto em 2024 o saldo negativo foi de R$ 15,5 bilhões. Considerando apenas o ano passado, o volume total de saques líquidos chegou a R$ 85,6 bilhões, evidenciando a perda de atratividade da caderneta em um ambiente de juros elevados.
Entre os principais fatores que explicam o movimento está a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado. Desde julho do ano passado, o Comitê de Política Monetária (Comitê de Política Monetária) interrompeu o ciclo de alta após sete elevações consecutivas da Selic e, desde então, mantém a taxa em 15% ao ano. O nível elevado dos juros favorece aplicações como títulos públicos, CDBs e fundos de renda fixa, que oferecem retorno superior ao da poupança.
Do ponto de vista macroeconômico, a saída de recursos da caderneta reflete tanto a busca por maior rentabilidade quanto a necessidade de liquidez das famílias, em um cenário de orçamento pressionado e crédito caro. Para o sistema financeiro, o movimento reforça a mudança estrutural no perfil do investidor brasileiro, cada vez mais disposto a migrar para produtos com melhor relação entre risco e retorno.
Enquanto a Selic permanecer em nível restritivo, a expectativa de analistas é de que a poupança continue perdendo espaço como principal destino da poupança financeira das famílias, mantendo o padrão de captação negativa observado nos últimos anos.

