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    Home » VIVENTES DO MEU QUINTAL
    A Crônica da Semana

    VIVENTES DO MEU QUINTAL

    Pedro Paulo PaulinoPor Pedro Paulo Paulino23/02/2024Nenhum comentário3 minutos de leitura
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    Eles despertam com o amanhecer. O mais festivo e canoro é o Cardeal, que entre nós é mais conhecido como Galo-de-campina. É o seresteiro comum das manhãs, em especial, na estação das chuvas. Seu canto mavioso espalha-se de todo pelos ares, avisando aos demais viventes ao seu redor que o dia está começando.

    Com o crescer das horas, ecoa, inimitável, a voz da Fogo-apagou, cujo nome é uma onomatopeia da sua própria cantiga. Já aquele outro, de onde quer que ele esteja, impossível é não se ouvir sua canção amorosa: o Bem-te-vi, o indiscutível tenor da mata.

    Na apresentação dessa orquestra de bicos e de asas, assumem também suas posições de canto o Caboclinho, o Papa-capim e outros personagens de vozes mais miúdas, porém não menos importantes na sinfonia diária da minifloresta sertaneja.

    Quase todos eles, diga-se, são viventes que habitam de livre e espontânea vontade o meu quintal, nas manhãs e tardes, atraídos pelo alpiste e o xerém espalhados estrategicamente no chão. O espaço é um viveiro a céu aberto, frequentado também, vez ou outra, pela turma barulhenta dos periquitos de cor verde-esmeralda. Compõe ainda o quadro, a família das Casacas-de-couro, trajando seu terno marrom franciscano, exibindo seu topete engalanado e bicando o tronco das árvores. Os Anuns Brancos não são exceção nessa fauna diversa e harmoniosa.

    Mais recentemente, um casal adventício apareceu para colorir e ilustrar com sua voz e beleza estética, esse palco aprazível: o Corrupião, Concriz para alguns, Sofrê para outros. Fiquemos com o Corrupião,
    imortalizado e lamentado na prisão, nos versos do poeta Augusto dos Anjos. Ninguém, dentre todos esses aqui falados, é dono de uma voz tão romântica e de uma cantiga tão modulada. Igualmente, não há quem se vista de maneira mais elegante e charmosa. Como é do seu feitio, não constrói sua habitação, preferindo afanar de qualquer modo o ninho alheio, como cá se apossaram do ninho do Anum Branco, construído no topo do galho da algarobeira.

    Porém, falando de grandeza e fama, reservemos o primeiro lugar para uma ave soberana, com requintes reais e de uma altivez sem par: o pássaro Cancão, ou Cancã, como quer o Aurélio. São eles a grã-finagem da caatinga, exóticos, gregários e adotando entre si a regra, conforme a qual, é um por todos e todos por um. São família. Vivem e convivem lealmente nos seus bandos. Nidificam em lugares remotos, não identificados. Depois remigram, trazendo os frutos dos seus acasalamentos, já crescidos, mas ainda recebendo o alimento diretamente do bico dos genitores. E têm ainda mais o dom de poliglotas, falando a mesma voz de outras aves da redondeza, imitando-as com perfeição. Estão sempre alertas e em formação, num esquema de defesa absoluto. Ainda assim, dia desses, fui testemunha ocular de uma tragédia. Um gato vadio e forasteiro, surgido do nada, conseguiu, num momento raro de vacilo dos Cancãs, atacar e capturar um deles. Com o pássaro preso nos dentes, o felino transgressor caminhou apressado em direção à mata. Algazarra geral. A exemplo de uma esquadrilha de guerra, um grupo determinado de Cancãs sobrevoou a trajetória do bichano, disparando gritos estridentes, na vã tentativa de salvar o companheiro. O felino, todavia, some, para reaparecer momentos depois, de bucho cheio. O fato, conquanto lamentável, é de admirar, pois o Cancão, não à toa, é apelidado Cancão de Fogo, dada a sua esperteza e inteligência.

    Perdi, pois, nesse fatídico dia, um dos viventes do meu quintal.

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    Pedro Paulo Paulino
    • Local na rede Internet

    Atuante tanto na literatura de cordel quanto na poesia erudita, com diversas conquistas em prêmios literários de âmbito nacional. Além de seu trabalho como escritor, ele também é redator e diagramador de jornais, revistas e livros, atuando dentro e fora de Canindé. Como radialista, Pedro Paulo apresenta um programa aos domingos, focado em resgatar sucessos da Velha Guarda.

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