Exportações recuam 1% e importações caem quase 10%, refletindo menor dinamismo da indústria e retração da corrente de comércio
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,3 bilhões em janeiro de 2026, resultado de exportações de US$ 25,2 bilhões e importações de US$ 20,81 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Na comparação com janeiro de 2025, as exportações apresentaram queda de 1,0%, enquanto as importações recuaram 9,8%. Com isso, a corrente de comércio — soma de exportações e importações — totalizou US$ 45,96 bilhões no mês, retração de 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
O resultado positivo do saldo decorreu principalmente da forte redução das importações, em um contexto de atividade doméstica ainda moderada e custos financeiros elevados. Já pelo lado das exportações, o desempenho foi mais heterogêneo entre os setores, com sinais de perda de fôlego em segmentos industriais.
Na análise setorial das exportações, a agropecuária foi o único segmento a registrar crescimento na comparação anual, com alta de US$ 0,08 bilhão, equivalente a 2,1%. Em contrapartida, a indústria extrativa teve queda de US$ 0,25 bilhão (-3,4%), enquanto a indústria de transformação recuou US$ 0,07 bilhão (-0,5%), indicando menor dinamismo nas vendas externas de produtos industrializados.
Do lado das importações, a retração foi generalizada. As compras externas da agropecuária caíram US$ 0,18 bilhão (-28,7%), as da indústria extrativa recuaram US$ 0,33 bilhão (-30,2%) e as importações da indústria de transformação diminuíram US$ 1,74 bilhão (-8,2%). Esse movimento sugere tanto ajuste de demanda quanto menor necessidade de insumos e bens intermediários pela indústria nacional.
Para analistas, o resultado de janeiro reforça a leitura de que o superávit comercial segue sustentado mais pela compressão das importações do que por uma expansão consistente das exportações. A queda da corrente de comércio indica menor intensidade das trocas internacionais, o que pode refletir tanto fatores domésticos — como crédito restrito e crescimento mais lento — quanto um ambiente externo ainda marcado por incertezas.
Ao longo dos próximos meses, a evolução da balança comercial deve depender da recuperação gradual da atividade econômica interna, do comportamento dos preços das commodities e do ritmo do comércio global, fatores que serão determinantes para a sustentabilidade do saldo positivo ao longo de 2026.

