A falta de controle do orçamento doméstico segue como um dos principais vetores do endividamento no país. Dados do Banco Central do Brasil indicam que mais de 70% das famílias brasileiras convivem com algum grau de comprometimento da renda.

Em um ambiente de juros elevados e renda pressionada, organizar receitas e despesas deixou de ser apenas recomendação de educação financeira e passou a ser condição necessária para preservar o equilíbrio financeiro.

O que é orçamento familiar

O orçamento familiar é uma ferramenta de gestão que consolida todas as receitas e despesas mensais para oferecer uma visão clara da situação financeira.

Na prática, ele permite responder a três perguntas fundamentais:

Quanto entra de fato no mês?

Quanto sai ao longo do período?

O resultado final é superávit ou déficit?

Esse diagnóstico é o ponto de partida para decisões mais racionais sobre consumo, poupança e uso do crédito.

Como estruturar um orçamento na prática

A construção de um orçamento eficiente não exige métodos complexos, mas disciplina e realismo.

1. Parta da renda líquida

Liste apenas os valores efetivamente recebidos — salário líquido, rendas extras recorrentes e benefícios. Para rendas variáveis, utilize a média conservadora dos últimos meses, evitando superestimar a capacidade financeira.

2. Registre os gastos reais

O orçamento deve refletir o comportamento financeiro concreto, não o ideal.

Organize as despesas em dois blocos:

Despesas fixas:

Aluguel ou financiamento

Condomínio

Mensalidades escolares

Contas de serviços essenciais

Despesas variáveis:

Supermercado

Transporte

Lazer

Compras pontuais e delivery

O acompanhamento diário ajuda a identificar pequenas despesas recorrentes que, somadas, pressionam o orçamento.

3. Analise antes de cortar

Após consolidar os dados, a avaliação deve preceder qualquer ajuste. Perguntas essenciais:

O gasto é indispensável?

Ele agrega valor à rotina?

Existe alternativa mais econômica?

O objetivo não é eliminar tudo, mas melhorar a eficiência do uso do dinheiro.

Planejamento como estratégia

Com a Selic em patamar elevado, o custo do crédito permanece alto, tornando o descontrole financeiro mais oneroso. Um orçamento estruturado reduz a necessidade de recorrer a empréstimos e facilita a formação de reserva de emergência.

Em um cenário macroeconômico desafiador, organização financeira não é apenas hábito saudável — é ferramenta de proteção patrimonial e estabilidade no médio prazo.