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    Home » MEMÓRIAS DO DILÚVIO CEARENSE
    A Crônica da Semana

    MEMÓRIAS DO DILÚVIO CEARENSE

    Pedro Paulo PaulinoPor Pedro Paulo Paulino28/06/20242 Comentários4 minutos de leitura
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    Imagem: Ilustração

    Há precisamente meio século o sertão virou mar. Depois da seca demorada no começo da década, o inverno de 1974 ficou na memória daquela geração que testemunhou inundações, desabamentos de casas e pontes, estradas interrompidas, arrombamentos de açudes e barragens, cidades praticamente submersas. Algo parecido com dilúvio atingira o Ceará e outros estados nordestinos, causando transtorno de toda ordem.

    Eu era ainda moleque de calção curto e escaramuçava no terreiro, montado no meu Pégaso feito de talo de carnaubeira, quando ouvia as pessoas grandes falarem sobre as torrentes de chuva em tudo que era canto. Várzeas tomadas pelas enchentes que alcançavam até mesmo as ribanceiras. Rebanhos levados pelas cheias. Gente desaparecida. Carro carregado pelo rio. A fantasia também entrava em cena. O raio que se materializou em pedra chamada corisco e caiu na casa onde se tirava o terço. Por isso ninguém morreu, diziam. O relato ia de boca em boca, acompanhado do sinal da cruz.

    No meu torrão correu também a notícia do homem que foi arrastado na correnteza e ficou preso num barranco. Um mutirão caboclo formou-se e conseguiu, dentro da noite e a muito custo, salvar a vítima da fúria das águas. Na minha imaginação de menino matuto, tais narrativas adquiriam proporções sem tamanho, ampliadas mais ainda pelo ouvir dizer de um dilúvio contado na bíblia que minha mãe lia para mim nas noites cheias de relâmpagos e trovões. História que, de mistura com o que de fato estava acontecendo, ganhava na minha cabeça cores extraordinárias.

    O rádio grande de pilha e antena de fio esticado na cumeeira dava conta de que a barragem do Quixeramobim rompera-se. A notícia, hoje em dia, seria essa coisa que tanto está em voga e chama-se fake news. Pois mesmo com a cheia histórica, soube-se, na verdade, que a estrutura da barragem, depois dos aguaceiros, permaneceu firme em seu lugar.

    Em pleno solo do sertão central, a cidade de Canindé colecionou uma enxurrada de acontecimentos sensacionais que migraram para o folclore. Bastaria, para tanto, citar o caso do jacaré que conseguiu fugir de um zoo particular e navegou tranquilamente pela rua transformada em riacho, até esbarrar num armazém, causando assombro. Em instantes, arregimentou-se um batalhão formado por varonis papudinhos que em algazarra conseguiram dominar o crocodilo e devolvê-lo ao dono. E mais se conta que, no mesmo estabelecimento, sacas de açúcar ficaram comprometidas pela inundação, dissolvendo-se num compartimento. O prejuízo seria total, se o dono, pão-duro confesso, não tivesse tido a ideia salvadora de despejar na água dezenas de pacotes de “ki-suco”, coisa da época, mexer bem os ingredientes, envasar o produto final e vender como refresco.

    Além disso, a tragédia com um conterrâneo causou comoção. Gildo, criação do poeta folclorista Raimundo Marreiro, foi tragado pelo alagamento no centro da cidade e levado pelas águas do rio Canindé. Conta-se que foi abalo geral. Muita gente assistiu de cima da ponte às cenas do boneco sendo arrojado pela correnteza. E houve quem, num gesto nítido de bravura e solidariedade cristã, pulasse no rio, na vã tentativa de salvá-lo, convicto de que fosse gente, tão parecido era.

    Um fotógrafo de ocasião chegou mesmo a registrar o acontecido, mas instantes depois deixou a Kodak cair no rio. Ou salvaria a máquina ou a garrafa de pinga. Perdeu-se, nessa confusão grotesca, um registro histórico. O afogado deixou viúva uma jovem loura, olhos claros e de boa estatura. A boneca Gilda, contudo, não quis mais saber de casamento e até hoje atrai curiosos na legendária Casa Marreiro.

    Entretanto, em matéria de folclore, é provável que o acontecimento maior, em 1974, tenha sido a criação da Fundação Cearense de Meteorologia, que desde então se tornou objeto de pilhéria na boca dos cearenses. As cheias de 2024 levaram por água abaixo a previsão de seca no Ceará, corroborando de uma vez por todas a descrença geral na Funceme. Não foi um setenta e quatro, mas andou perto.

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    Pedro Paulo Paulino
    • Local na rede Internet

    Atuante tanto na literatura de cordel quanto na poesia erudita, com diversas conquistas em prêmios literários de âmbito nacional. Além de seu trabalho como escritor, ele também é redator e diagramador de jornais, revistas e livros, atuando dentro e fora de Canindé. Como radialista, Pedro Paulo apresenta um programa aos domingos, focado em resgatar sucessos da Velha Guarda.

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    2 Comentários

    1. Pedro Gervásio Moreira Martins sobre 28/06/2024 10:45

      Poeta amigo, sensacional esse texto, lembrando que o inverno de 1964, também foi muito rigoso, pois inundou o centro da cidade, todos os comerciantes do mercado e no seu entorno, tiveram grandes prejuízo. O açude da CAN verteu muita água a um só tempo, chegando inclusive a arrancar calçamentos dos portões do mercado público, Rua Joaquim Magalhães, João Pinto Damacena, Romeu Martins e Mozart Pinto. Pra se ter ideia a ponte velha próximo ao bar Canindé II, as águas chegaram quase a banhá-la pelo seu pico.

      Responder
      • Pedro Paulo Paulino sobre 28/06/2024 12:40

        Bem lembrado, Dr. Pedro. Esse foi um dos invernos mais rigorosos em todo o Nordeste. Em seguida, 1974, 1985, 2009 e 2024.

        Responder
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