Alta de 2,06% na gasolina foi o principal impacto do mês, enquanto queda da energia elétrica ajudou a conter o índice
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,33% em janeiro, repetindo a variação registrada em dezembro de 2025. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,44%. Em janeiro do ano passado, a taxa havia sido de 0,16%.
O principal vetor de pressão veio da gasolina, que subiu 2,06% e respondeu pelo maior impacto individual no índice, com contribuição de 0,10 ponto percentual (p.p.). O grupo Transportes avançou 0,60% e exerceu o maior impacto entre os nove grupos pesquisados, adicionando 0,12 p.p. ao IPCA do mês. Além da gasolina, também registraram alta o etanol (3,44%), o óleo diesel (0,52%) e o gás veicular (0,20%).
Na direção oposta, a energia elétrica residencial recuou 2,73%, exercendo o maior impacto negativo no mês (-0,11 p.p.) e levando o grupo Habitação a cair 0,11%. A queda refletiu a mudança da bandeira tarifária amarela, vigente em dezembro, para a verde em janeiro, eliminando a cobrança adicional nas contas de luz.
Segundo o IBGE, gasolina e energia elétrica são os dois subitens de maior peso na estrutura do IPCA — 5,07% e 4,16%, respectivamente — o que amplia o efeito de suas variações sobre o resultado geral. No caso da gasolina, o reajuste do ICMS a partir de 1º de janeiro influenciou o preço final ao consumidor.
Além dos combustíveis, o transporte urbano subiu 5,14% em janeiro, influenciado por reajustes tarifários em capitais como Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Vitória. Por outro lado, transporte por aplicativo (-17,23%) e passagens aéreas (-8,90%) ajudaram a atenuar a pressão do grupo.
O grupo Comunicação registrou a maior variação entre os nove pesquisados, com alta de 0,82%, impulsionado pelo aumento de 2,61% nos aparelhos telefônicos e reajustes em planos de TV por assinatura e combos de serviços.
Em Saúde e cuidados pessoais, a alta foi de 0,70%, com destaque para artigos de higiene pessoal (1,20%) e planos de saúde (0,49%).
O grupo Alimentação e bebidas desacelerou de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro. A alimentação no domicílio subiu 0,10%, abaixo do mês anterior, com quedas relevantes no leite longa vida (-5,59%) e no ovo de galinha (-4,48%). No sentido contrário, o tomate disparou 20,52% e as carnes subiram 0,84%.
A alimentação fora do domicílio avançou 0,55%, também abaixo dos 0,60% registrados em dezembro.
Entre as 16 regiões pesquisadas, Rio Branco apresentou a maior variação (0,81%), influenciada por energia elétrica e artigos de higiene. Belém teve a menor taxa (0,16%), com recuos na energia elétrica e nas passagens aéreas.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda, subiu 0,39% em janeiro, acima dos 0,21% de dezembro. No acumulado de 12 meses, o indicador ficou em 4,30%.
Os dados reforçam um quadro de inflação ainda pressionada por itens administrados e combustíveis, apesar de alívios pontuais na energia elétrica. A trajetória dos combustíveis e dos preços de serviços continuará sendo determinante para o comportamento do índice ao longo do primeiro trimestre.

