Autor: Pedro Paulo Paulino

Atuante tanto na literatura de cordel quanto na poesia erudita, com diversas conquistas em prêmios literários de âmbito nacional. Além de seu trabalho como escritor, ele também é redator e diagramador de jornais, revistas e livros, atuando dentro e fora de Canindé. Como radialista, Pedro Paulo apresenta um programa aos domingos, focado em resgatar sucessos da Velha Guarda.

© Divulgação/OceanGateO assunto dominante nas mídias em todo o mundo, esta semana, foi o desaparecimento do minisubmarino no Atlântico Norte, a algumas centenas de quilômetros distante da região costeira canadense. A viagem da embarcação começou domingo passado, 18, e tinha como objetivo levar seus cinco ocupantes a mais de três quilômetros de profundidade, no local onde dizem que se encontram os destroços do velho Titanic. Menos de duas horas, levaria o submersível para mergulhar, desde a superfície até às profundezas do oceano. Entretanto, nesse período, os ocupantes perderam a comunicação com a plataforma de apoio na superfície, passando a se…

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© Pedro Paulo PaulinoOs três personagens que emprestam seus importantes nomes às festas juninas brasileiras não são nossos patrícios. Todos eles nasceram muito longe daqui e em épocas muito distantes. Mas granjearam tanta simpatia e graça do povo brasileiro, em particular no Nordeste do país, que é mesmo como se fossem filhos desta terra.O primeiro deles, Antonio de Lisboa e de Pádua, foi um europeu, contemporâneo de Francisco de Assis, e viveu, portanto, entre os séculos doze e treze, muito antes da chegada das caravelas portuguesas no Brasil. É para ele que se acende a primeira fogueira festiva de junho:…

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© Pedro Paulo PaulinoDia desses, durante minha caminhada matinal, por uma estradinha de chão, isolada e cercada de um lado e outro pela caatinga ainda verde, encontrei um conterrâneo, homem do campo, calejado e traquejado na luta da roça. Antes de tudo, deixe-se bem claro que encontrar um camarada habitante do sertão e não frear o passo para trocar pelo menos um dedo de prosa, constitui um ato de ofensa, mesmo que se esteja cumprindo o exercício de uma caminhada regular. Também constitui semelhante ofensa quando se visita a casa de um sertanejo e recusa-se a xícara de café gentilmente…

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DivulgaçãoOutro dia, em conversa com um amigo, este me dizia: “Confesso que já tenho é medo de entrar nas redes sociais, por conta de tanta coisa ruim que postam”. Concordei. É que nunca foi tão cômodo, como agora, o ofício de espalhar desgraça – claro, a desgraça alheia. O que antes era praticado oralmente, em tom de espanto e de fofoca, nas esquinas, nos bares, na barbearia, no banco da praça, agora é realizado instantaneamente, na palma da mão, para todo mundo ver. Isto porque, no aparelho celular estão reunidos todos os apetrechos necessários na propagação da notícia ruim, em…

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© Acervo PessoalSábado passado, 13 de maio, fez 28 anos da morte do professor canindeense Laurismundo Marreiro. Estudantes secundaristas dos anos de 1980 encontraram no Professor Laurismundo um ponto de referência especial. Mestre em língua inglesa e professor de educação física, ele era, além disso, incentivador incansável da cultura, das artes e dos esportes. Em torno de sua inteligência, convergiu um grupo de jovens com sede de leitura, literatura, educação e conhecimentos.Era sempre com ansiedade que, em sala de aula, esperávamos a vez do Láuris ou o “Teacher”, como carinhosamente o chamávamos. Com frequência, a disciplina propriamente dita cedia lugar…

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© Divulgação/Canva Em um portal de notícias, leio: “Mais de 50% dos brasileiros pretende presentear a mãe”. É isso mesmo o que, em suma, representa o Dia das Mães: uma data expressivamente comercial. Pelo menos com um mês de antecedência, o olho guloso do comércio já se volta para o segundo domingo de maio, anunciando ofertas”, “promoções”, visando ao lucro em torno dessa data. Não é o caso de não concordar que as mães são mais do que merecedoras de um dia do ano marcado no calendário. Claro! Mas, é inegável, a comemoração descamba sempre para o consumismo, o aquecimento do…

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© Pedro Paulo PaulinoFica no cruzamento da rua Gervásio Martins com a Praça da Basílica, no coração da cidade de Canindé. No prédio de paredes amarelas e letreiro desbotado funciona uma antiga farmácia, conhecida pelo prosaico nome de Farmácia dos Pobres. Bem conhecida, diga-se melhor, de gerações pretéritas, habitantes da cidade e das povoações rurais. Não sei precisar o tempo de sua existência, mas poderia garantir que deve contar muito mais de meio século. E embora resistindo às mãos do tempo e desafiando os impulsos da modernidade, ali ela continua com suas portas abertas, abrigadas sob uma larga marquise.Adentrar o…

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A Sexta-feira Santa chega, e com ela, regressa à memória uma enxurrada de lembranças de uma época em que este dia era mesmo sagrado. É como agora abrir um álbum de fotografias amareladas pelo tempo, testemunhando costumes que o próprio tempo tratou de dar fim. Falo da Sexta-feira Santa da minha infância, ao longo dos anos setenta e início dos oitenta do século que passou. Era um dia de penitência, puro, imaculado, inocente. Para começar, nas casas sertanejas, tinha-se por hábito, durante toda a Semana Santa, virar de costas os quadros de imagens sacras pendurados na parede. Esse procedimento era…

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© SchwerdhoeferO Dia da Mentira, mundialmente comemorado em 1º de abril, é, a meu ver, uma espécie de data magna da humanidade. A mentira, interpretada como um defeito moral, tem sido, a bem da verdade, um dos recursos mais utilizados pelo homem desde o começo da civilização. É tão antiga quanto o próprio Homo sapiens e remonta aos primórdios da comunicação oral e da escrita, que são os principais meios de transmissão da mentira, em todos os tempos.Quem de nós – com exceção das crianças e dos bebuns, que nunca ou quase nunca mentem – não recorre, com frequência, nem que seja…

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© Carlos Silva/CNEA terra estava enxuta. O sol não baixava a sua guarda. O sertanejo, desconfiado, olhava o céu e não via o menor sinal de que o tempo ia mudar de cara. Olhava a terra e também não encontrava indícios de mudança do clima. Entretanto, uma esperança lhe batia no peito: o dia de São José. Pois não há um só camponês cearense que deixe de esperar confiante por chuvas na data em que se festeja o padroeiro do estado do Ceará. 19 de março é a data magna do inverno no sertão cearense. E se alguma vez a…

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