Autor: Pedro Paulo Paulino

Atuante tanto na literatura de cordel quanto na poesia erudita, com diversas conquistas em prêmios literários de âmbito nacional. Além de seu trabalho como escritor, ele também é redator e diagramador de jornais, revistas e livros, atuando dentro e fora de Canindé. Como radialista, Pedro Paulo apresenta um programa aos domingos, focado em resgatar sucessos da Velha Guarda.

Sempre que chega o carnaval, pergunto-me: afinal, que folião sou eu? Que amigo sou eu da folia, se jamais me comportei, em momento algum, como um súdito do Rei Momo? Mesmo na quadra mais radiante da existência, que é a dos 20 aos 30 anos, mantive-me sempre, por exclusiva vontade e vocação, à margem dos festejos carnavalescos. Jamais pus uma máscara em meu rosto, uma fita sequer que pudesse identificar em minha indumentária qualquer coisa que lembrasse o carnaval. Enfim, jamais arredei o pé em busca de um baile de carnaval, de tantos que se multiplicam por aí nas seguidas…

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Na segunda vez que visito o rancho do meu jovem casal de amigos Djacir e Hozana, sou recebido à mesa com uma saborosa carne de pato regada a um aperitivo da melhor qualidade. Esses meus dois amigos abstêmios, numa atenção especial, reservam-me na prateleira da cozinha um recipiente do nosso bom néctar, que brindo, com meu copo abastecido, o copo simbólico deles. Da primeira vez que visitei essa graciosa moradia, o tira-gosto foi na base da tilápia, outro cardápio luxuoso, sem menoscabo do pato. A moradia, situada em um dos bairros tradicionais de Fortaleza, pela sua tranquilidade, parece encarnar o…

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Deitado na rede estirada entre dois armadores, na pequena mas aconchegante sala de sua moradia, as janelas abertas deixando entrar o vento agradável da manhã, foi assim que encontramos o Zé Freire, sertanejo dos mais populares nos sertões de Canindé. A ida até seu rancho, localizado no distrito que tem o auspicioso nome de Esperança, partiu de um convite do meu amigo Capitão Ari Bezerra, veterano da Marinha Mercante do Brasil. A viagem até lá é feita, em parte, sobre o asfalto da rodovia estadual que liga o povoado de Campos à terra dos monólitos. Depois, percorrem-se nove quilômetros de…

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É notícia: “Alunos de escolas públicas do Ceará alcançam mais de 900 pontos na redação do Enem”. Notícia alvissareira. Deixa pleno de ânimo e gratificado o segmento do ensino público em seus diversos níveis. Antes, e por muito tempo, estigmatizada e vista com certa desconfiança, a educação pública, de um tempo para cá, vem apresentando um perfil de mais credibilidade e aceitação. Demonstra estar saindo de um estágio pueril para a maturidade, direcionando seu público estudantil rumo ao horizonte do profissionalismo. Para os alunos vitoriosos nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, instrumento que é a porta…

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A vaia é um dos mais antigos apelos de protesto. Supõe-se que surgiu na Grécia há não sei quantos séculos. De lá, espalhou-se por todo o mundo e ainda hoje é, entende-se, uma forma de desaprovação coletiva bastante usada. A vaia parte sempre de um anônimo infiltrado no meio do público ou de um conluio. Pode ser um protesto procedente, como pode ser também uma manifestação à toa, grosseira e debochada. Um desabafo ou uma descompostura. No primeiro caso, o público exprime um sentimento lídimo com uma reprimenda; no segundo caso, a vaia pode restringir-se meramente a um insulto. Em…

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No nosso linguajar regional nordestino, talvez não haja uma expressão mais cheia de significância, expectativa e ternura, do que essas três palavras juntas: “bonito pra chover”. Pronunciada ou simplesmente pensada, a expressão se manifesta quando se olha o céu e avista-se um conjunto de nuvens cor de chumbo, aglomerando-se, umas puxando as outras para mais perto de si, até se juntarem por completo, e, numa ação coletiva, despejarem suas águas sobre as terras ressequidas deste imenso sertão.   “O tempo está bonito” é outra expressão de nossa legítima propriedade, nordestinos, cearenses, filhos do semiárido. Lá fora, em outras regiões, o mesmo…

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Adeus, 2023, pois assim te batizaram quando nasceste, há exatamente um ano. Chegaste radiante e saudado com festas no mundo inteiro. Agora morres, melancólico e velho. As horas estão contadas. Já te ouvimos os estertores. As despedidas já estão em pleno curso. Os sentimentos se dividem. Em uns, deixas saudade, em outros, alívio. Quanto a mim, posso dizer que estamos desobrigados. Acompanhei-te de perto os dias e, de longe, os acontecimentos, as dores e alegrias que acrescentaste a este mundo, onde, ao contrário do que se pensa, há sempre muita coisa nova debaixo do sol. Em teu lugar, 2023, já…

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Particularmente, não quero me alistar no coro daqueles que deploram, debocham, execram e defenestram o Papai Noel, antes mesmo que ele se aproxime da janela. Assim me comporto em atenção, especialmente, a um respeitável público: as crianças. Pois entendo que, se os adultos têm, cultivam e adoram seus mitos ridículos, o ano inteiro, é direito também das crianças, uma vez por ano e na fase mais passageira da existência, acreditarem em alguém que na noite de Natal venha-lhes deixar um presente, por simples que seja. O problema é que o Bom Velhinho atende a um número relativamente pequeno de pirralhos…

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A crônica de hoje vem a propósito do dia 13 de dezembro, aniversário de nascimento de Luiz Gonzaga, que veio ao mundo nessa data em 1912. A título de homenagem, há 18 anos, 13 de dezembro virou efeméride no calendário nacional, como o Dia do Forró, mesmo que esse gênero musical esteja assaz descaracterizado em relação ao forró genuíno do Velho Lua. Tudo já se disse de Luiz Gonzaga. O repertório de metáforas e comparações em torno do seu nome parece ter-se exaurido até a última gota. Por isso, aqui não estou inventando epíteto algum para designá-lo, até porque estou…

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A crônica de hoje resume-se a uma anedota que envolve um dos tipos populares mais humorísticos de que se tem notícia no folclore canindeense. Francisco Pereira do Nascimento é o nome verdadeiro dele. Bunaco, foi como ficou conhecido de todos os seus conterrâneos, de seu tempo e ainda hoje. É o caso de que, numa campanha eleitoral em Canindé, certo candidato aproximou-se do Bunaco e o contratou para afixar cartazes na rua. De posse de uma pilha de cartazes e tubos de cola, Bunaco sai ilustrando paredes, postes, até esbarrar fatidicamente na porta de um boteco. Com a grana que recebera por adiantamento, ali…

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