Autor: Pedro Paulo Paulino

Atuante tanto na literatura de cordel quanto na poesia erudita, com diversas conquistas em prêmios literários de âmbito nacional. Além de seu trabalho como escritor, ele também é redator e diagramador de jornais, revistas e livros, atuando dentro e fora de Canindé. Como radialista, Pedro Paulo apresenta um programa aos domingos, focado em resgatar sucessos da Velha Guarda.

No repertório de minhas crônicas já publicadas aqui, pelo menos duas falam de maus-tratos a animais: “A lenta agonia e morte de Joca” e “Mendigos de quatro patas”. Agora, o drama de um cão morto com requintes de crueldade ocupa o noticiário nacional há dias e comove todo o país. A barbárie aconteceu em quatro de janeiro, numa área nobre de Florianópolis. Os acusados de torturar o animal são apontados como quatro adolescentes filhos de papaizinho. Orelha, como era chamado o miserável animal, tinha dez anos e tornou-se um cão comunitário e mascote do bairro, sendo querido por todos, exceto…

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A frase pode soar como o eco de alguma coisa muito longínqua, já perdida na poeira do tempo. No tempo do orelhão pode encontrar parelha com frases do tipo no tempo do barco a vela, do trem a vapor, do lampião a gás. E, como sempre, tais frases estão carregadas de nostalgia ou lembrança de um tempo melhor. Ocorre que, embora o velho orelhão ainda esteja presente em muitas cidades, o seu fim acaba de ser, efetivamente, decretado. “Anatel começa a retirada definitiva de telefones públicos em janeiro, após o fim das concessões de telefonia fixa. Apenas cidades sem outra…

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Paz mundial. Duas palavras apenas. Um substantivo e um adjetivo que são a maior utopia de toda a história humana. Uma quimera jamais concretizada, nem ontem, nem agora, nem amanhã. Para lembrar ao mundo a paz necessária, instituíram-se até duas datas significativas: o Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro, e o Dia Internacional da Paz, 21 de setembro. E para simbolizar a paz, adotou-se uma pombinha branca mensageira. Nada, entretanto, dá paz ao mundo. Nem as filosofias, nem os esportes, nem as religiões. Em todos esses segmentos, e em muitos outros, a bem dizer, há sempre conflitos, dúvidas, desentendimentos…

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Diante da repugnância e da revolta da sociedade brasileira nos dias de hoje ao ver estampados na mídia os casos bárbaros de prostituição infantil, leia com atenção esse trecho de uma crônica que recolhi: “Não sei que jornal, há algum tempo, noticiou que a polícia ia tomar sob sua proteção as crianças que aí vivem, às dezenas, exploradas por meia dúzia de bandidos. Quando li a notícia, rejubilei. Porque, há longo tempo, desde que comecei a escrever, venho repisando esse assunto, pedindo piedade para essas crianças e cadeia para esses bandidos. As providências anunciadas não vieram. Parece que a piedade…

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Confesso que também fiz minha fezinha concorrendo ao maior prêmio lotérico já realizado no Brasil. Em 31 de dezembro, data marcada para o sorteio, as duas agências lotéricas da minha cidade, durante todo o dia estiveram lotadas. Afinal, era mais de um bilhão de reais em jogo. E é possível que nada tenha mais chamado a atenção do povo brasileiro na reta final de 2025. No começo da tarde, portanto, lá estava eu, na fila em que se viam pessoas humildes, homens e mulheres, desafiando a própria sorte, fazendo, em sua maioria, apostas simples como a minha, de apenas seis…

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É tempo de fazer presépio. E muita gente os faz, cada um a seu modo. Por isso eles estão presentes nos mais diversos lugares, das igrejas às casas mais humildes, das praças aos restaurantes. Nos lares, significam um gesto cristão, familiar e até mesmo lúdico. Coube a Francisco de Assis, segundo conta a história, fazer o primeiro presépio, isso lá pelo século onze da era cristã. Da Itália, a tradição do presépio natalino espalhou-se pelo mundo ocidental. Quando criança, eu assistia à minha mãe fazer o presépio, no chão de um canto da sala. Era um presépio tipicamente sertanejo. Ali,…

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Eu bem podia falar hoje, nestas despropositadas linhas que aqui dou à luz a cada sexta-feira, eu bem podia, repito, comentar sobre a beleza do amanhecer de pleno estio neste pedaço de mundo chamado sertão. Ou mesmo falar da noite, que nos mostra a cada edição, no céu de novembro, a majestosa constelação de Órion, com suas Três-Marias, tendo como vizinhas as formosas Plêiades, também chamadas de Sete-estrelo. Porém, ao mesmo tempo, torna-se imperioso, a todos nós brasileiros, dar atenção ao máximo, nestes instantes, aos acontecimentos que tornaram esta última semana do mês de novembro de 2025 uma semana histórica,…

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O dia 20 de julho é dedicado a Zumbi, morto em 1695 e o mais famoso herói do Quilombo dos Palmares. O quilombo, situado na região hoje pertencente ao município de União dos Palmares, Alagoas, resistiu por quase um século e se desfez em 1710. Dessa época até a abolição da escravatura ainda se passaram quase dois séculos, pois o Brasil foi um dos últimos países a libertar os cativos. Pelo menos é esta a informação básica apresentada e repetida per tempora nos livros escolares da história do Brasil. A bem da verdade, os acontecimentos, durante aquele longo e sinistro…

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Numa certa manhã, enquanto aguardava atendimento em agência bancária, tomou-me de surpresa uma cena raríssima hoje em dia. Sentou-se perto de mim uma jovem, de elegância à vista e que de sua bolsa puxou, em lugar do samartphone, um livro (creia-me, um livro!) de páginas já meio amareladas, e pôs-se a ler calmamente. A surpresa cresceu quando constatei, relanceando os olhos, que se tratava de uma edição em espanhol de Histórias Extraordinárias, do escritor de língua inglesa Edgar Alan Poe. Página por página, a jovem leitora entretinha-se, enquanto aguardava sua vez. No mesmo recinto, um vistoso número de pessoas cabisbaixas,…

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Enquanto os olhos de todo o planeta se voltam, neste momento, para a cidade de Belém, capital do Pará, o meu olhar continua centrado na paisagem seca e cinzenta ao meu redor, no meu pequeno torrão encravado no meio do Semiárido cearense. Em outras palavras, no meio do quase deserto. Lá na metrópole que é a porta de entrada da Amazônia, acontece agora um encontro global onde chefes e delegações de várias nações vão debater, pelo trigésimo ano consecutivo, o futuro do clima e do planeta Terra. Mas por aqui, nesta reta final do ano, nós cearenses estamos vidrados, uma…

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