Operação terá até três séries, prazos de até 15 anos e remuneração atrelada ao IPCA; recursos serão captados via oferta destinada a investidores profissionais
A AXIA Energia, controlada da Centrais Elétricas Brasileiras S.A., aprovou a realização de sua 8ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, no valor inicial de R$ 1,6 bilhão, com possibilidade de lote adicional de até 25%, o que pode elevar o volume total da operação para até R$ 2 bilhões. A decisão foi aprovada pelo conselho de administração e comunicada ao mercado em fato relevante divulgado nesta sexta-feira (6) .
As debêntures serão da espécie quirografária e poderão ser estruturadas em até três séries, com prazos que variam de 7 a 15 anos. A emissão contará com pagamento de juros semestrais, sem período de carência, e amortizações diferenciadas conforme a série escolhida.
Na primeira série, com vencimento em 15 de fevereiro de 2033, a amortização será em parcela única (bullet). A segunda série também terá pagamento bullet, com vencimento em 15 de fevereiro de 2036. Já a terceira série, com prazo total de 15 anos e vencimento final em 15 de fevereiro de 2041, contará com amortizações anuais a partir do 13º ano.
A remuneração ainda será definida no processo de bookbuilding, mas terá como referência títulos públicos indexados à inflação. Na primeira série, o retorno será equivalente à NTN-B 2032 menos 0,90% ou IPCA + 6,80% ao ano, o que for maior. Na segunda, NTN-B 2035 menos 0,77% ou IPCA + 6,80% ao ano. Na terceira série, NTN-B 2040 menos 0,50% ou IPCA + 6,90% ao ano, também prevalecendo a maior taxa.
A companhia destacou que as debêntures se enquadram no regime de incentivo fiscal previsto na Lei nº 12.431, o que tende a elevar a atratividade do papel para investidores qualificados. A oferta será realizada por meio de distribuição pública sob o rito de registro automático e será destinada exclusivamente a investidores profissionais.
A AXIA Energia informou ainda que a emissão será estruturada no sistema de “vasos comunicantes”, permitindo ajustes na alocação entre as séries conforme a demanda apurada no bookbuilding. A operação, no entanto, ainda não foi registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e o fato relevante tem caráter exclusivamente informativo.
Para o mercado, a emissão reforça a estratégia de alongamento do perfil da dívida e de captação de recursos de longo prazo no setor elétrico, em um momento de juros reais ainda elevados, mas com demanda consistente por papéis incentivados ligados à infraestrutura.
