Índice da FGV avança 3,5 pontos, com melhora da demanda e redução de estoques, embora ambiente macroeconômico ainda limite recuperação mais consistente
O Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pelo FGV IBRE, subiu 3,5 pontos em janeiro e alcançou 96,1 pontos. Apesar da alta, o indicador permanece abaixo do patamar de 100 pontos, que separa otimismo de pessimismo. Na média móvel trimestral, o índice avançou 0,9 ponto, para 96,4 pontos, interrompendo a sequência negativa observada no fim de 2025.
A melhora reflete uma combinação de avaliações menos desfavoráveis sobre o momento atual dos negócios e expectativas um pouco mais positivas para os próximos meses. Segundo a FGV, houve avanço da confiança em 15 dos 19 segmentos industriais pesquisados, sinalizando uma recuperação relativamente disseminada dentro do setor.
O Índice de Situação Atual (ISA) foi o principal destaque, com alta de 4,1 pontos, para 96,4 pontos. O resultado indica percepção de melhora da demanda e maior escoamento de estoques, após um período de acúmulo de produtos nas empresas. Já o Índice de Expectativas (IE) avançou 2,7 pontos, para 95,7 pontos, sugerindo um ajuste gradual das perspectivas para o horizonte mais longo.
Apesar da reação em janeiro, o nível da confiança ainda aponta cautela. O avanço observado compensa apenas parte das perdas acumuladas nos últimos meses de 2025, quando o setor industrial foi pressionado por condições financeiras mais restritivas e menor dinamismo da atividade.
O cenário à frente segue condicionado por fatores macroeconômicos. A política monetária ainda restritiva tende a limitar investimentos e produção no curto prazo, enquanto a recuperação da confiança dependerá da consolidação de sinais de demanda mais firme. Por outro lado, o mercado de trabalho resiliente, o câmbio mais apreciado e uma inflação mais próxima da meta aparecem como possíveis vetores de apoio à indústria ao longo dos próximos meses.
Para empresários e investidores, o resultado de janeiro sugere uma inflexão positiva, mas ainda insuficiente para caracterizar uma retomada robusta da confiança industrial, que permanece em nível historicamente moderado.
