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    Home » Selic em 15%: a prudência tem um preço
    Economia

    Selic em 15%: a prudência tem um preço

    Carlos AugustoPor Carlos Augusto06/11/2025Nenhum comentário3 minutos de leitura
    © Marcello Casal JrAgência Brasil
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    A manutenção da Selic em 15% não surpreende ninguém. Mas a decisão do Copom reforça algo mais profundo: o Brasil entrou na fase da paciência forçada. O Banco Central reconhece que o ambiente global está mais instável, que a política monetária americana continua restritiva e que o risco geopolítico subiu de tom. Em outras palavras, o espaço para errar ficou menor.

    A leitura é simples, mas incômoda. O Copom manteve os juros não por conforto, mas por desconfiança. O comitê enxerga uma inflação que desacelera lentamente, um mercado de trabalho ainda forte e expectativas que não cedem. Com projeções de 4,5% para 2025 e 4,2% para 2026, a meta de 3% parece mais um objetivo moral do que uma ancoragem real.

    A mensagem é clara: os juros vão ficar altos por mais tempo. E isso tem custo. Para as empresas, significa capital caro, menos apetite a risco e investimentos postergados. O crédito corporativo — já seletivo — deve ficar ainda mais concentrado em grandes companhias com rating elevado. Pequenas e médias, que dependem do capital de giro, continuarão respirando por aparelhos.

    Para as famílias, o impacto é direto no bolso. O crédito imobiliário encarece, o parcelado pesa mais, e o consumo, que vinha sustentando parte da atividade, tende a perder força. A renda até cresce, mas o orçamento continua apertado. O juro alto, neste momento, é o preço da estabilidade — e o freio da retomada.

    No setor público, o desafio é outro: manter a credibilidade fiscal enquanto o custo da dívida aumenta. Cada ponto de Selic significa bilhões de reais a mais em juros pagos pelo Tesouro. E sem âncora fiscal clara, o prêmio de risco não cede, travando o caminho para uma redução consistente da taxa. O Banco Central, nesse cenário, prefere errar por excesso de cautela do que por precipitação.

    No mundo, os ventos não ajudam. Os Estados Unidos seguem com uma política monetária restritiva e um dólar forte, o que drena liquidez dos emergentes. As tensões comerciais e geopolíticas adicionam incerteza e empurram os investidores para ativos seguros. O Brasil, que precisa de previsibilidade, enfrenta um ciclo global que cobra prêmio por confiança.

    A decisão do Copom é, portanto, um gesto de prudência com custo político e social elevado. Ela adia a sensação de alívio, mas protege o horizonte de estabilidade. Manter juros em 15% é admitir que o país ainda não reconquistou a âncora das expectativas — e que o caminho até lá será lento e desigual.

    No curto prazo, o juro alto segura o consumo, limita o crédito e pressiona o investimento. No longo, pode garantir um ganho mais valioso: a volta da confiança no compromisso com a meta de inflação. Entre aliviar agora ou corrigir mais tarde, o Banco Central escolheu o caminho da paciência.

    E, no Brasil, paciência sempre custa caro.

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    Carlos Augusto
    • Local na rede Internet

    Jornalista e repórter fotográfico, com vasta experiência. Graduado em Comunicação Institucional e Gestão Pública, possui habilidades em comunicação e escrita. Carlos Augusto é acadêmico de Ciências Contábeis, o que acrescenta um olhar analítico e detalhista, combinando de forma única comunicação e economia.

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